O nascimento do romance com Sartre; a independência: “Levei toda a minha juventude me lixando para a opinião dos outros”. A negação da Guerra, seguida pela reação ao Nazismo. As relações com outras mulheres. A interlocução com Sartre e a sintonia entre os dois: “Ambos formavam um só ser, por assim dizer, uma espécie de Mônada, […] mas permanecendo duas individualidades bem distintas. O modelo do que pode ser o amor entre um homem e uma mulher. A alegria, a inteligência, a generosidade, a invenção, o constante bom humor. O bom humor neles era quase uma qualidade moral”. A percepção e o ativismo em todos os aspectos relevantes de seu tempo: o macartismo, o racismo, a militância pela independência da Argélia, a revolta pela guerra do Vietnã. Os amores paralelos a Sartre e o amor por ele, até o fim. A consciência da liberdade e da não liberdade. A alteridade: “Não acho que seja satisfatório ser livre individualmente, porque se à nossa volta vemos que todos os outros não são livres, não se pode dizer que nós próprios sejamos livres”.  Simone de Beauvoir levou sua crença em liberdade a extremos, viveu a liberdade de forma extrema. É verdade: “Não se nasce mulher. Tornamo-nos mulheres”.  Assim como não se nasce homem. A História recente, que a associa quase que exclusivamente ao feminismo, por vezes subestima seu papel para a humanidade: foi, de fato, uma defensora de liberdades individuais. Simone de Beauvoir foi essencial para que mulheres – e homens – que a sucederam pudessem – e possam – escolher como exercer sua liberdade.

 

__por Mariane Branco.